sábado, setembro 24, 2005

A DES(CONFIANÇA) DO MINISTRO


O Ministro da Justiça, Alberto Costa, em entrevista ao J.N., antes de ser conhecida a deliberação do conselho geral da Associação Sindical dos Juizes Portugueses, declarou esperar que as greves anunciadas (dos juizes e dos magistrados do ministério público) não se concretizem.
Adiantou que a confiança nos tribunais não seria, certamente, acrescida com essas greves!
Cabe então perguntar: afinal de contas quem é que confia em quem e quem é que desconfia de quem?
Não será o senhor Ministro quem, desde a primeira hora, desconfia – e sabe-se lá porquê – dos magistrados, como tem dado provas disso ao longo da sua governação?
Não será o senhor Ministro um dos mentores da campanha difamatória dirigida contra os magistrados com vista a desacreditar o poder judicial?
Não será o senhor Ministro o principal responsável pela desconfiança gerada em relação aos tribunais?
Como pode, então, falar de confiança, quando tudo tem feito para conseguir miná-la nos seus alicerces, espicaçando os sentimentos mais mesquinhos daqueles em nome dos quais supostamente governa?
Na mesma entrevista, perguntado se esperava que as greves não se concretizassem por uma questão de fé, ou se tinha alguma medida a anunciar, para fazer recuar os operadores judiciários, respondeu que tinha falado com muitos magistrados e que estes não consideravam justificado que ocorressem greves em órgãos de soberania.
Esta resposta é a demonstração cabal de que o senhor Ministro não está verdadeiramente preocupado em restabelecer a "confiança" nos tribunais, mas sim em conservar o seu lugar no governo.
Para quem ainda tinha alguma réstia de esperança, o melhor é convencer-se, de uma vez por todas, que o senhor Ministro continuará a conduzir a sua "cruzada" contra os magistrados "infiéis", num processo em que as regras da boa fé e da cooperação foram postergadas.

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