Mais um comentário:
No blog Câmara Corporativa, pode ler-se o seguinte comentário, a propósito de notícias sobre atrasos da justiça:
"(...)trata-se de uma "notícia" que supostamente identifica um caso patológico, sem que, todavia, nos seja dado a conhecer a causa do mal. Tal como ela está escrita, faz passar a ideia que ao "sistema" (do qual, para as coisas más, e só para estas, o responsável é o juiz) deve ser imputada a "culpa" por este atraso.E, no entanto, como já deve ter reparado, a mesma inculca daquele vício de que padecem algumas decisões judiciais que escandalizam (e com razão) a opinião pública: alguém é "acusado" de algo e nem sequer lhe revelam exactamente o que, no entender da acusação, se passou.O que o Senhor aqui faz não é melhor do que aquelas (afamadas) decisões que dizem que fulano molestou crianças - ordenando a sua prisão preventiva -, mas depois não explicam nada, não dando ao dito fulano qualquer possibilidade de compreender exactamente do que é acusado e de, eventualmente, provar a falsidade da acusação ou explicar o sucedido.Neste e noutros posts, não presuma logo que é dono da verdade. Pense que podem existir razões diferentes da sua - por exemplo, que a casa de função dos juízes não é uma remuneração (pelo que não pode estar sujeita a um imposto sobre rendimentos), mas sim uma condição de dignidade que o Estado faz questão de atribuir a alguns titulares de órgãos de soberania, como ao PM e ao PR.Já agora, entende que os juízes não podem fazer greve? Cuidado com a resposta, pois se assim entende, é porque reconhece aos juízes a natureza de titulares de órgãos de soberania. Ora, se reconhece esta "diferença" em relação aos demais cidadãos - que se revela, por exemplo, na restrição de direitos como a proibição de greve -, deverá refrear a sua senda igualitarista, admitindo que estes têm direitos - como a casa de função - e deveres diferentes".
"(...)trata-se de uma "notícia" que supostamente identifica um caso patológico, sem que, todavia, nos seja dado a conhecer a causa do mal. Tal como ela está escrita, faz passar a ideia que ao "sistema" (do qual, para as coisas más, e só para estas, o responsável é o juiz) deve ser imputada a "culpa" por este atraso.E, no entanto, como já deve ter reparado, a mesma inculca daquele vício de que padecem algumas decisões judiciais que escandalizam (e com razão) a opinião pública: alguém é "acusado" de algo e nem sequer lhe revelam exactamente o que, no entender da acusação, se passou.O que o Senhor aqui faz não é melhor do que aquelas (afamadas) decisões que dizem que fulano molestou crianças - ordenando a sua prisão preventiva -, mas depois não explicam nada, não dando ao dito fulano qualquer possibilidade de compreender exactamente do que é acusado e de, eventualmente, provar a falsidade da acusação ou explicar o sucedido.Neste e noutros posts, não presuma logo que é dono da verdade. Pense que podem existir razões diferentes da sua - por exemplo, que a casa de função dos juízes não é uma remuneração (pelo que não pode estar sujeita a um imposto sobre rendimentos), mas sim uma condição de dignidade que o Estado faz questão de atribuir a alguns titulares de órgãos de soberania, como ao PM e ao PR.Já agora, entende que os juízes não podem fazer greve? Cuidado com a resposta, pois se assim entende, é porque reconhece aos juízes a natureza de titulares de órgãos de soberania. Ora, se reconhece esta "diferença" em relação aos demais cidadãos - que se revela, por exemplo, na restrição de direitos como a proibição de greve -, deverá refrear a sua senda igualitarista, admitindo que estes têm direitos - como a casa de função - e deveres diferentes".

