Mais uma opinião:
Luís Delgado escreveu no Público:
"(...) Não há sector, classe profissional, faixa etária e social que não esteja em protesto aberto contra o Executivo, e ele, que não quer ouvir, ver, escutar, mantém-se intransigente, isolado e convencido (extraordinário, como caso de análise psicológica e política) de que tem razão. Todos discordam, por uma ou outra razão, com ou sem ela, mas o Governo, omnisciente, na glória e nas alturas, nem os ouve e acredita piamente, só por uma questão de fé cega, estar certo, correcto, e que centenas de milhares que se manifestam, e quem não o faz mas pensa do mesmo modo, é que estão manipulados. Casos emblemá- ticos: 1) Militares tinham sistema social e médico próprio, que vai ser integrado no geral e são obrigados a reformar-se mais tarde. Razão do Governo: todos são iguais. Erro. A instituição militar é e tem de ser diferente, é opção de vida em nome do País. É treta serem iguais aos outros. Não são e ainda bem. É não perceber nada do que significa um pilar de soberania como este, que exige, em última análise, o sacrifício da vida. Acontece com outras profissões, com excepção da Polícia? Aplica-se a esta a mesma base de pensamento. Não se deve mexer na idade da reforma - era o que nos faltava ser "guardados" por homens e mulheres de 60 anos - e também se exige deles o maior de todos os sacrifícios. Portugal não é diferente de outros países europeus, onde essa distinção existe, e faz todo o sentido. 2) Juízes sendo órgão de soberania independente, têm de ser tratados como tal. Ou aceitamos, como princípio básico, que não estamos num Estado de classe única, sem distinções, como é a democracia, ou então o modelo da Coreia do Norte serve bem. Por muito que se discorde da justiça em Portugal, estes homens e mulheres têm de ser tratados de uma forma diferente - que não significa abusiva ou acima da razoabilidade - porque exercem um magistério único. Outros exemplos poderão ser dados. O que está mal, na verdade, é a ideia do nivelamento igualitário. A justiça social não é igualizar, mas sim saber distinguir. É, se não se importam, o princípio fundamental de uma democracia".
Luís Delgado escreveu no Público:
"(...) Não há sector, classe profissional, faixa etária e social que não esteja em protesto aberto contra o Executivo, e ele, que não quer ouvir, ver, escutar, mantém-se intransigente, isolado e convencido (extraordinário, como caso de análise psicológica e política) de que tem razão. Todos discordam, por uma ou outra razão, com ou sem ela, mas o Governo, omnisciente, na glória e nas alturas, nem os ouve e acredita piamente, só por uma questão de fé cega, estar certo, correcto, e que centenas de milhares que se manifestam, e quem não o faz mas pensa do mesmo modo, é que estão manipulados. Casos emblemá- ticos: 1) Militares tinham sistema social e médico próprio, que vai ser integrado no geral e são obrigados a reformar-se mais tarde. Razão do Governo: todos são iguais. Erro. A instituição militar é e tem de ser diferente, é opção de vida em nome do País. É treta serem iguais aos outros. Não são e ainda bem. É não perceber nada do que significa um pilar de soberania como este, que exige, em última análise, o sacrifício da vida. Acontece com outras profissões, com excepção da Polícia? Aplica-se a esta a mesma base de pensamento. Não se deve mexer na idade da reforma - era o que nos faltava ser "guardados" por homens e mulheres de 60 anos - e também se exige deles o maior de todos os sacrifícios. Portugal não é diferente de outros países europeus, onde essa distinção existe, e faz todo o sentido. 2) Juízes sendo órgão de soberania independente, têm de ser tratados como tal. Ou aceitamos, como princípio básico, que não estamos num Estado de classe única, sem distinções, como é a democracia, ou então o modelo da Coreia do Norte serve bem. Por muito que se discorde da justiça em Portugal, estes homens e mulheres têm de ser tratados de uma forma diferente - que não significa abusiva ou acima da razoabilidade - porque exercem um magistério único. Outros exemplos poderão ser dados. O que está mal, na verdade, é a ideia do nivelamento igualitário. A justiça social não é igualizar, mas sim saber distinguir. É, se não se importam, o princípio fundamental de uma democracia".

