sexta-feira, setembro 30, 2005

Os privilégios dos juizes ou o reino da ignorância:
O sector da justiça tem sido alvo de sucessivos ataques.
Na melhor das hipóteses, tudo não passa de um completo desconhecimento do que realmente significa o poder judicial e em que consiste a função dos juizes.
Na pior, trata-se do mais primitivo desejo de subjugar tudo o que nos é contrário.
Neste momento histórico em que vivemos, as fronteiras entre o real e o virtual quebraram-se, dando lugar a um mundo onde o bom senso e os valores adquiridos deixaram de reinar.
Para inverter esta tendência, dou conta do dia-a-dia não virtual de um juiz, a exercer funções num tribunal da periferia de Lisboa.
Trabalha num gabinete, como tantos outros juizes.
Mas a impressora que tinha ao seu dispor deixou de funcionar: recusou-se a trabalhar e suspeita-se que não foi por solidariedade com a greve dos funcionários judiciais.
Comunicada a situação à Direcção Geral da Administração de Justiça não foi obtida ainda qualquer resposta.
Os processos conclusos, numa média diária que ronda os 70 a 80, não são, porém, solidários e têm vindo a ser despachados, há já quatro dias, pelo próprio punho do juiz.
Em desespero de causa, o juiz quis trazer a sua impressora pessoal, mas logo desistiu, porque não havia verba para comprar tinteiros...
A ignorância, enfim, útil!

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