JUSTIÇA EM DEBATE?
Era suposto, mas o certo é que o programa televisivo transmitido ontem pela RTP-1, "Prós e Contras", não contribuiu para esclarecer a opinião pública acerca dos problemas concretos daqueles que, no dia-a-dia, trabalham nos tribunais.
Era suposto, mas o certo é que o programa televisivo transmitido ontem pela RTP-1, "Prós e Contras", não contribuiu para esclarecer a opinião pública acerca dos problemas concretos daqueles que, no dia-a-dia, trabalham nos tribunais.
Dos convidados presentes, mais concretamente, do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, do Presidente da Associação Sindical dos Juizes Portugueses e do Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, esperava-se, no mínimo, que fizessem o diagnóstico rigoroso do estado em que se encontra actualmente a Justiça Portuguesa:
1 - revelando e fundamentando, de forma cabal, as suas críticas às medidas governativas adoptadas em relação ao sector da justiça e denunciando a violação continuada do princípio do contraditório e a forma torpe como tem vindo a ser atacada a independência do poder judicial;
2 - apresentando a "terapeutica" adequada à solução dos problemas com que os operadores judiciários se debatem no seu dia-a-dia, por forma a que a justiça material prevaleça sobre a meramente formal e a composição dos litígios seja alcançada com maior brevidade e eficácia.
Porém, infelizmente, aqueles em nome dos quais a justiça é administrada, não assistiram a nada disto.
Com honrosas excepções - v.g. o representante sindical dos funcionários judiciais - a discussão acabou por centrar-se na anunciada greve dos juízes e na "constitucionalidade" da mesma.
No final, o programa parece ter dado razão ao ministro da justiça e à sua política, ficando-se com a triste ideia de que, o que o verdadeiramente move magistrados do Ministério Público e juízes é, somente, a revisão do seu estatuto remuneratório.
Com isto, foi sobretudo a imagem dos juízes, enquanto titulares do órgão de soberania tribunais, que ficou a perder. E também a fotografia da Justiça Portuguesa, algo amarelecida pelo tempo e resistente à mudança.


3 comentários:
Título: o elogio da boçalidade
O Sr. Fernando Jorge foi falar computadores, de juízos de execução, enfim coisas do estilo de existir um projecto para plantar crisântemos e alguém se preocupa com o bicho da batata da horta ao lado.
1º: a questão da Justiça deve ter interlocutores tecnicamente preparados: não é um programa em que a jornalista nada percebe do tema que se conclui a ilegitimidade de qualquer coisa.
2º Nunca vi um juíz inglês na televisão inglesa. Como tb caso não saibam apanha processo disciplinar se andar de autocarro.
3º O português como o seu político governante é medíocre: os juízes devem estar à margem da barafunda fétida do opinar
4º Uma Democracia Forte defende os seus juízes! Só um País de gente banana,que nunca soube decidir provoca isto: se calhar o ressabiamento dos meninos casapianos era para alguém que ali não estava.
5º O Estado Democrático Bana em que se vive nunca soube dar condições de educação cívica,explicando o que é o Poder Judicial, como se dirige a um juíz, etc. etc..
6º Os Juízes Portugueses têm culpa, muita culpa: era só exigir o que merecem: segurança policial num tribunal (hoje até o ministério da segurança social tem seguranças...para quê ?), motorista próprio (porque não? aquele que decide ministerialmente não é mais digno que um ente do Estado que aplica penas de prisão), casa função própria, etc. etc. ou este País não teria vergonha de ver os seus juízes tipo funcionário ? Vão aos EUA, vão à Noruega,...vejam Nações.
Caro conservador:
Tem razão no que escreve, mas só em parte.
Na verdade, os juizes nunca souberam exigir o tratamento que merecem por parte do Estado enquanto titulares de órgãos de soberania.
Porém, a partir do momento em que aceitaram intervir num programa televisivo subordinado ao tema da situação actual da justiça portuguesa, era suposto que esclarecessem cabalmente os problemas com que se defrontam, identificando as suas causa e propondo as soluções consideradas adequadas.
Noto, aliás, alguma contradição, no seu comentário, ao culpabilizar os juizes pela sua passividade e acusá-los de revelarem publicamente as razões da sua discordância em relação às medidas governativas adoptadas para o sector da justiça.
É certo que os juizes devem procurar manter um certo distanciamento e reserva, evitando qualquer tipo de envolvimento em questões de natureza política, não por se acharem intelectualmente superiores, mas sim por força da nobreza das funções que exercem.
Sucede que, face à campanha de descredibilização dos juizes, justifica-se uma tomada de posição por parte dos mesmos no sentido do esclarecimento da opinião pública, designadamente quanto às razões do seu descontentamento, o que não foi conseguido até ao momento.
Cara magnolia:
Quem sabe verdadeiramente as nossas razões, para além dos familiares mais chegados?
Só eles sabem que não temos fins de semana, nem feriados, porque há sempre um ou mais saneadores ou sentenças a fazer, porque temos que preparar um julgamento complexo...
Só eles conhecem as nossas condições de trabalho, os computadores obsoletos que depositam nos nossos gabinetes (quando temos a sorte de ter um só para nós), as impressoras que cospem várias folhas ao mesmo tempo ou que só trabalham com uma folha de cada vez, os aquecedores avariados e as ventoinhas partidas, as secretárias com gavetas que não abrem ou as cadeiras que deformam a coluna....
Só eles sabem os processos que despachamos diariamente e como são despachados, o tempo que perdemos com despachos de mero expediente e que poderia ser utilizado para fazer mais julgamentos e sentenças...
Só eles conhecem a falta de tempo para a desejada valorização e formação profissionais, o esforço titânico desenvolvido para acompanhar e interpretar as constantes alterações legislativas introduzidas nas leis processuais...
Só eles sabem que não temos acessor, nem funcionário privativo que se ocupe do serviço eminentemente burocrático ou administrativo que está a nosso cargo...
Só eles conhecem a falta de planeamento e de organização judiciários, os tribunais/juizos que estão a abarrotar com processos, as secções com quadros incompletos ou com funcionários que desempenham funções sem a correspondente formação...
Só eles sabem que a avalanche dos jovens licenciados em direito tem tornado cada vez mais difícil a condução dos processos, obrigando a uma tarefa árdua de expurgá-los do que é meramente acessório...
Será bastante entrar num tribunal para conhecer esta realidade? Penso sinceramente que não.
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