quarta-feira, outubro 05, 2005

Qual o destino da nossa democracia?
Nuno Sampaio escreveu hoje, no Diário Económico, a propósito das eleições autárquicas do próximo dia 9 de Outubro e dos cerca de 500 mil cidadãos que se apresentam como candidatos em listas para os órgãos autárquicos:
"(...) Seria bom que esta participação se revelasse mais forte do que o profundo desânimo que paralelamente se instalou na sociedade portuguesa. Seria bom, não só para a auto-estima da nação ou para o desenvolvimento económico e social do País, mas sobretudo para a qualidade da nossa democracia. É que o desalento, que por aí se ouve e por aí se sente, já não é apenas com a política ou com os políticos. Alguns dos fundamentos e das regras de funcionamento da democracia começam a ser postas em causa. Os sinais estão à vista. É certo que, em alguns casos, não devemos confundir a defesa de interesses corporativos com a defesa do bem da nação, mas quando um País assiste a manifestações de militares, ainda que por procuração, e a Justiça ameaça entrar em greve, algo se passa. Se não acreditarmos que os mecanismos da democracia funcionam e que é através destes e da participação cívica e política que se podem resolver as tensões e confrontar as diversas perspectivas da nossa sociedade, para onde caminha a nosso regime democrático?"
(Nuno Sampaio é gestor e mestrando do Instituto de Estudos Políticos da UCP).

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