| A MÁSCARA DA JUSTIÇA A Opinião de Vicente Jorge Silva, no D.N., de hoje: “Os funcionários judiciais adiaram para 26 de Outubro a data da nova paralisação laboral, juntando-se assim aos juízes e magistrados do Ministério Público que têm greve marcada para esse dia. Para além dos seus efeitos práticos - que até podem ser irrelevantes, num sector cuja paralisia estrutural é conhecida -, esta coincidência tem um significado altamente simbólico. É a primeira vez que ocorre uma greve geral no sector da Justiça e em que as reivindicações de funcionários, juízes e magistrados do MP se misturam e exprimem simultaneamente, como se fizessem parte de um corpo comum, sem distinções de estatuto ou responsabilidade institucional. Se já está em causa a legitimidade constitucional da greve dos juízes - sendo eles titulares de um órgão de soberania -, esta confusão de papéis em movimentações reivindicativas coincidentes denuncia uma desorientação generalizada. Com efeito, o mais elementar bom senso recomendaria que, em defesa da bondade dos objectivos proclamados por cada uma das partes, se preservasse uma fronteira clara entre os motivos de luta dos funcionários, os propósitos defendidos pelos juízes e as reclamações dos magistrados. Acontece, porém, que nem as aparências mais elementares de decoro e respeito pela dignidade de uns e outros foram salvaguardadas. Prevaleceu o autismo corporativo de funcionários indiferenciados, sejam eles trabalhadores judiciais ou membros de órgãos de soberania. A máscara caiu. E caíram as últimas ilusões sobre o estado da Justiça, quando os juízes se julgam no direito de fazer greve - e fazer greve numa frente comum com os funcionários judiciais - sem questionarem minimamente se esse direito não constitui um intolerável abuso de autoridade de quem usufrui dos privilégios da soberania. Se a crise de valores se instalou assim no coração do sistema - a Justiça -, aonde é que iremos parar?". |
domingo, outubro 02, 2005
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2 comentários:
Sr. Pedro. Tive que desistir do blog e abrir um outro. Não cheguei a lembrar-me do código de acesso. Continuo em experiência. JP.
Privilégios de soberania ? Fazer sentenças até às 2 da manhã, fazer mudanças de comarca em comarca, ouvir e corrigir a advocacia incompetente (alguma, entenda-se). Sim...devíamos reivindicar privilégios de soberania: mudar de motorista quando mudamos de comarca, mudar de Volvo para Saab quando mudamos de juízo, mudar de secretária, etc. etc. ou afinal este País (se é que a isto se chama...) quer os seus juízes como trolhas administrativos da Justiça ? Esse sr. Vicente que já foi deputado nada fez pela comunidade (consultar actas da AR): nada, absolutamente nada, a não ser o exercício da lábia. Quem julga que é ? Há algum atestado de competência para algo que seja validamente aceite pela comunidade ? Então que competência tem para andar a mandar postas de pescada ?! A legitimidade do jornaista...É o País que temos: a verdade advem da normal boçalidade do jortnalista.
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