A fábula da cigarra e da formiga adaptada:
Contemplava eu o horizonte, numa planície alentejana, quando fui subitamente interrompido pelo cantar de uma cigarra.
A muito custo, pousei os olhos naquela figura e, qual não foi o meu espanto, sou por ela interpelado:
- Minha querida formiga, o que fazes aqui? Não devias estar a trabalhar? Então não sabes, porventura, que reduzi a época de lazer, para que houvesse mais comida durante todo o ano?
Respondi-lhe então:
- Minha cara amiga, V. Exa. deve estar equivocada. Não sou mais aquela velha formiga que se assustava com o aproximar do Inverno. Rendi-me finalmente ao encanto das suas cantorias e agora trabalho em part-time e por conta própria.


2 comentários:
Qualquer comparação entre a formiga e os juizes, por um lado, e a cigarra e o ministro da justiça, por outro, é pura fantasia...
(O autor).
Pode ser pura fantasia a última parte, mas não necessariamente. Razão por que com a devida consideração, coloco na boca da formiga as seguintes palavras, correspondentes ao sentimento e prática de muitos e muitos juízes deste país:
«- Minha exploradora, v. deve estar equivocada. Não sou mais aquela formiga escrava que trabalhava a custo zero em todas as estações do ano, em todos os dias e a altas horas da noite. Rendi-me finalmente ao encanto de só trabalhar para aquilo que me pagam e agora posso deleitar-me numa liberdade antes nunca gozada, em companhia da minha família, passeando pelos vastos campos da vida findo o horário da colheita»...
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