Congresso dos Juizes VII
«O presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Nunes da Cruz, fez ontem aquilo que em Portugal pouco se faz e vulgarmente se define “Chamar os ‘bois’ pelos nomes”.
E nem precisou de pronunciar ‘bois’ nem nomes para ser absolutamente claro: “O cidadão comum (...) foi escutando o poder executivo e acreditou. Mas tem sido intencionalmente enganado e é tempo de repor a verdade”. Perante gravíssima acusação, o Governo ainda pode argumentar que Nunes da Cruz – como juiz conselheiro que é – cedeu ao discurso do coorporativismo. Mas fica encurralado quando o presidente do STJ toca no mais importante deste conflito: “Ao tratar os titulares de um órgão de soberania [os juízes] como funcionários mal comportados, estava-se a empobrecer o Estado e a desacreditar o Direito e fragilizar o Estado de Direito”. Declarações sobre as quais o Governo tem de reflectir, até pelo simbolismo do dia de hoje, 25 de Novembro – uma espécie de prova dos 9 da revolução de Abril, que a bem de Portugal deu Democracia. Mas esta não foi a única acusação de desonestidade feita ontem ao Executivo de Sócrates: o CDS-PP denunciou que os socialistas publicaram em Diário da República valores de receitas e despesas diferentes dos apresentados na discussão do Orçamento Rectificativo de 2005. O Governo garante que está tudo dentro da Lei. Não duvido. Mas isso não muda o essencial: o Governo foi desleal aos portugueses».
In Correio da Manhã, 25/11/2005.


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