Congresso dos Juizes X
"Nunes da Cruz falava aos jornalistas no segundo dia do congresso de Juízes, no Algarve, numa altura em que o relacionamento entre o poder político e o judicial está numa fase de crispação, com criticas mútuas.
Segundo o presidente do STJ, os magistrados «não querem instituir uma República de juízes», tanto mais que «isso não é possível, nem desejável».
«Isso é uma frase espalhada por aí com base no caso que ocorreu em Itália há alguns anos. Apenas queremos ser independentes e nessa matéria não cedemos nem um milímetro», reiterou.
Para Nunes da Cruz, os juízes «não são nem querem ser políticos», pretendendo apenas uma cooperação com os outros órgãos de soberania, nomeadamente com o governo.
«Os juízes devem respeito ao poder político e este deve respeito ao judicial. Tem de ser uma via de dois sentidos, pois não pode haver órgãos de soberania de primeira e de segunda categoria», frisou.
O clima de tensão entre juízes e governo «aqueceu» quinta-feira na abertura do congresso quando o presidente do STJ acusou o executivo de mentir sobre os magistrados, quando a «obrigação» do poder político é de respeitar e conceder os meios à magistratura".
In Diário Digital, 25/11/2005.
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«O presidente do Supremo Tribunal de Justiça entende que "está em boa companhia" nas críticas ao Governo, recordando a posição do Presidente da República. É a resposta de Nunes da Cruz ao primeiro-ministro, que pediu hoje “respeito” pelas medidas do Executivo na Justiça. Também o presidente da Associação Sindical dos Juízes aconselha José Sócrates a ler o discurso de Sampaio.
Nunes da Cruz reitera as críticas lançadas ontem, no Congresso dos Juízes. E mais, instado a comentar as afirmações do primeiro-ministro, esta tarde, o presidente do Supremo apontou a coincidência de pontos de vista com Jorge Sampaio para provar que não quis ofender o Executivo, nem provocar uma crise institucional. "Estou em boa companhia", disse, à margem do congresso. "Não faço mais comentários porque não quero alimentar o diz que disse, mas o que está dito está dito. O Governo e o primeiro-ministro entenderão o que quiserem". A magistratura "está disponível para se sentar à mesa" com o Governo e "calmamente" encontrar um "entendimento", garantiu Nunes da Cruz, que "estranhou" que o Executivo afirme que "quer dialogar quando antes diz que não recua um milímetro". "Não podemos continuar no clima de turbulência de que o Presidente da República falou, pois isso prejudica todos, prejudica os juízes, o poder político e os cidadãos", acentuou Nunes da Cruz, figura central do congresso dos magistrados que decorre até sábado, em Lagoa».
In SIC, On line, 25/11/2005.


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